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Etapa 2 · Resultados Preliminares

Dados secundários no TCC: como encontrar e avaliar uma base

MetodologiaDados

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De onde vem esta informação. Este material foi construído a partir do manual oficial de TCC do MBA USP/Esalq (2º semestre de 2025, turmas 251 e 252) e da obra de metodologia da Pecege (2024). Ele não substitui os comunicados oficiais, o manual da sua turma, o calendário da instituição ou a orientação do seu orientador. Havendo divergência, vale sempre a orientação oficial que você recebeu.

Veja como conferir origem, recorte, unidade de análise, qualidade e limitações antes de construir uma pesquisa com dados existentes.

Uma base pronta não é uma pesquisa pronta

Dados secundários são informações existentes, produzidas originalmente para outra finalidade. Seu uso pode ser adequado a uma pesquisa aplicada, desde que a fonte, o recorte e os conceitos permitam responder à pergunta. O manual metodológico inclui o levantamento de dados secundários entre as técnicas de obtenção de informações.

O primeiro passo não é baixar a maior planilha. É definir o que você precisa observar. Uma base com milhões de registros pode não conter a variável central; outra, menor e bem documentada, pode atender melhor ao objetivo.

Onde começar a procura

Fonte primária Possibilidade de uso Conferência indispensável
IBGE e SIDRA Indicadores agregados de territórios, setores e população Conceitos, unidades, períodos e notas da tabela
Portal de dados abertos da CVM Informações públicas de participantes e companhias Dicionário, versão e eventuais reapresentações
Registros administrativos autorizados Processos, atendimento, projetos, vendas ou estoques Permissão, significado dos campos e qualidade do registro
Bases vinculadas a pesquisas Questões compatíveis com o desenho original Licença, documentação, seleção e restrições de uso

IBGE e CVM são pontos de partida verificados, não a indicação de que qualquer tabela dessas instituições servirá ao seu TCC. A pesquisa precisa selecionar um conjunto concreto e ler seus metadados.

Confira a unidade, a cobertura e o período

Uma linha pode representar pessoa, empresa, estabelecimento, operação ou território. Não una bases apenas porque ambas possuem uma coluna chamada “município”. Elas podem usar datas, definições ou coberturas distintas.

Registre a abrangência geográfica e temporal e avalie se houve mudanças de conceito. Uma variação entre anos pode refletir alteração no levantamento, e não uma mudança real no fenômeno. Valores nominais e corrigidos, estoques e fluxos, pessoas e estabelecimentos também não são medidas intercambiáveis.

Essas verificações devem ser descritas na metodologia, junto dos critérios de seleção e tratamento. A exigência de detalhar os procedimentos continua existindo mesmo quando o estudante não coletou os dados originalmente.

Leia o dicionário antes de criar indicadores

Confira códigos, categorias, valores ausentes, unidades e filtros. Um zero pode significar ausência do fenômeno, enquanto um campo vazio pode representar informação não coletada ou não aplicável. A interpretação deve vir da documentação da base, não da aparência da célula.

Exemplo didático: para estudar conversão comercial, é preciso distinguir propostas perdidas, ganhas e ainda abertas. Se todos os registros sem venda forem tratados como perdas, o indicador poderá ser artificialmente reduzido. A definição do desfecho deve anteceder o cálculo.

Mantenha uma trilha de tratamento

Guarde a versão original, a data de obtenção e os critérios aplicados. Registre quantas linhas entraram, quantas foram excluídas e por quê. Em cruzamentos de bases, confira a chave de ligação e o tipo de relacionamento; uma combinação muitos-para-muitos pode multiplicar registros sem criar novas observações reais.

Uma trilha de tratamento pode ser uma planilha de controle ou um script documentado. O formato importa menos do que a possibilidade de reconstruir o percurso. Não altere a base original para esconder discrepâncias e não remova registros apenas porque atrapalham uma conclusão desejada.

Limites de interpretação

Dados agregados não permitem automaticamente conclusões individuais. Se um município apresenta renda média e consumo elevados, isso não demonstra que cada pessoa com maior renda consumiu mais. Da mesma forma, uma relação entre indicadores de empresas não prova a causa de uma decisão gerencial.

Uma base existente também pode deixar de observar variáveis relevantes. Ajuste o objetivo ao que pode ser respondido e explicite o que falta. Se o trabalho passa de uma questão causal para uma descrição de associações, essa mudança deve ser assumida no texto, não escondida na conclusão.

Dados públicos não eliminam toda responsabilidade

Confira licença, condições de uso, confidencialidade e eventuais riscos de reidentificação. No percurso normativo consultado, o FDE deve refletir a pesquisa efetiva e ser discutido com o orientador. Não declare dispensa de avaliação ética apenas porque encontrou um arquivo na internet.

Nos materiais públicos da Apoio Academic, usamos exemplos sintéticos identificados e não disponibilizamos bases de clientes. Em um TCC real, documentos organizacionais devem ter uso autorizado e identificação tratada conforme as condições institucionais.

Um teste de viabilidade em seis perguntas

A base contém a variável central? Sua unidade corresponde ao objetivo? Há documentação? O período é adequado? O uso é permitido? Existe um procedimento de análise compatível com a pergunta e com as limitações?

Se uma resposta for negativa, investigue antes de iniciar a redação. Não é necessário abandonar toda a ideia, mas pode ser preciso delimitar a pergunta, buscar outra fonte ou mudar o desenho com o orientador.

Próximo passo: verifique a viabilidade da base — origem, cobertura, período e permissão de uso — e leia o guia de análise de dados. A seleção da base e a escolha do método devem ser planejadas em conjunto.

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