As normas do TCC do MBA USP/ESALQ, explicadas
O que o manual exige, por que cada exigência existe e onde os trabalhos costumam tropeçar. Material de referência, atualizado conforme o manual vigente.
A Apoio Academic é uma empresa independente, sem vínculo institucional com a USP, a ESALQ ou o PECEGE. As normas do TCC mudam a cada semestre: confirme sempre o manual vigente enviado pela Equipe de Orientação do seu curso.
O formato é business case, não monografia
Essa é a diferença que mais custa caro para quem chega achando que vai escrever uma monografia tradicional. O trabalho tem caráter aplicado: parte de um problema ou de uma oportunidade real, normalmente do ambiente profissional do próprio aluno, e precisa terminar com uma proposta cujos resultados sejam gerados ou estimados.
Na prática, isso muda o peso das seções. Uma revisão de literatura extensa, que em uma monografia seria mérito, aqui consome páginas que deveriam estar na análise e na proposta.
Até 30 páginas, anexos incluídos
O limite é rígido e inclui os anexos. Ele é a principal razão pela qual recorte é mais importante do que volume: quase todo trabalho que chega perto do limite precisou cortar algo, e cortar depois de escrito é mais caro do que decidir o escopo antes.
Trabalho individual, sem coorientação
O TCC é desenvolvido individualmente, e o regulamento não permite a designação de coorientadores, independentemente do vínculo do profissional. Quem acompanha o trabalho oficialmente é o orientador designado pela Equipe de Orientação.
Terceira pessoa e linguagem acadêmica
O uso da primeira pessoa não é permitido. Parece detalhe, mas é um dos ajustes mais frequentes em devolutiva, justamente porque o trabalho nasce da experiência profissional de quem escreve — e a tentação de narrar em primeira pessoa é grande.
As seções obrigatórias
O trabalho segue uma estrutura fixa, em ordem, começando pela folha de rosto e pelo resumo, seguidos de três a cinco palavras-chave distintas das usadas no título — que por sua vez não deve ultrapassar quinze palavras. Depois vêm introdução, desenvolvimento, discussão dos resultados e referências em ordem alfabética.
Duas seções concentram a maior parte dos problemas:
- Introdução — precisa apresentar o problema ou a oportunidade que origina o business case e justificar a necessidade da intervenção. Não é espaço para contextualizar o setor em três páginas.
- Discussão dos resultados — precisa apresentar os resultados gerados ou estimados pela proposta. Quando a proposta não tem resultado mensurável, o problema não é de escrita: é de desenho do trabalho, e precisa ser resolvido antes.
Orientador designado, não escolhido
A designação é feita pela Equipe de Orientação com base na área de desenvolvimento declarada pelo aluno, a partir das respostas de um questionário. A etapa ocorre meses antes da entrega final, e o orientador acompanha desde o projeto de pesquisa até a versão revisada.
Consequência prática: você não escolhe o orientador, mas influencia a designação pela área que declara. E depende de interação contínua com ele — entregas sem retorno prévio costumam voltar.
Verificação de similaridade e comitês de ética
Os trabalhos passam por verificação de similaridade. Quando envolvem seres humanos, animais ou questões ambientais, podem precisar de aprovação em comitê de ética, o que exige planejamento de prazo: submissão a comitê não acontece na semana da entrega.
Os erros que mais aparecem
- Objetivo amplo demais para caber em 30 páginas.
- Proposta sem resultado mensurável, que trava a discussão dos resultados.
- Análise estatística escolhida antes de verificar se a base a sustenta.
- Revisão de literatura ocupando o espaço da análise.
- Primeira pessoa espalhada pelo texto.
- Devolutiva respondida parcialmente, o que gera a mesma devolutiva de novo.