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Seis erros que fazem o TCC do MBA USP/ESALQ voltar do orientador

Depois de um certo volume de trabalhos, os motivos de devolutiva deixam de ser variados. Repetem-se seis, e cinco deles nascem antes da primeira linha escrita.

1. O objetivo não cabe em 30 páginas

O limite inclui anexos, e isso muda tudo. Um objetivo que exigiria diagnóstico setorial, proposta e validação não cabe — e o corte, quando vem, destrói a coerência do que já estava escrito. O teste é simples: escreva o objetivo em uma frase. Se ela tiver dois verbos de ação independentes, você tem dois trabalhos.

2. A proposta não gera resultado mensurável

O formato de business case exige uma seção de discussão dos resultados gerados ou estimados. Quando a proposta é apenas uma recomendação genérica, essa seção não tem o que discutir, e o trabalho inteiro fica pendurado. Resolver isso na etapa de escrita é tarde: é uma falha de desenho.

3. A análise foi escolhida antes dos dados

É comum decidir aplicar determinado modelo porque ele parece robusto, e só depois verificar o que a base permite. A ordem correta é a inversa. Uma análise descritiva bem executada e bem interpretada sustenta um TCC; um modelo sofisticado aplicado a uma base que não o sustenta não sobrevive à primeira pergunta da banca.

4. A revisão de literatura ocupou o lugar da análise

Em uma monografia tradicional, uma revisão extensa é mérito. Aqui ela consome páginas que deveriam estar na análise e na proposta. A literatura entra para sustentar decisões do trabalho, não para demonstrar leitura.

5. Primeira pessoa espalhada pelo texto

O manual não permite primeira pessoa, e o erro é previsível: o business case nasce da experiência profissional de quem escreve, então a narração em primeira pessoa aparece sozinha. Vale uma varredura dedicada antes de cada postagem.

6. A devolutiva anterior foi respondida pela metade

Esse é o mais caro, porque gera a mesma devolutiva de novo e consome um ciclo inteiro. Comentário de orientador costuma misturar exigência e sugestão, e é tentador atacar primeiro o que é rápido. O caminho que funciona é listar cada ponto, marcar o que é obrigatório, resolver tudo e devolver um resumo do que mudou — para que o orientador não precise procurar.

Cinco dos seis erros acima são decisões de projeto, não de escrita. É por isso que revisar texto no fim quase nunca resolve um trabalho com problema estrutural.
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